Me sinto cansada, como se estivesse precisando de um tempo só para mim, sem ninguém por perto, nem ninguém na mente, sem ninguém no coração e também sem ninguém na boca. Se descolem, se desgrudem, me deixem, eu preciso disso, necessito saber mais do que eu mesma sei. Me esquecer, e ser esquecida. Preciso me encontrar certamente como nunca me encontrei antes, talvez eu me pocure até hoje. Talvez eu faça uma reflexão de tudo que poderia ter sido e não foi, e me frustre até hoje, por não conseguir reliazar nem o mínimo do pretendido. Eu tenho sede, eu tenho uma ambição de felicidade muito grande em mim. Eu peço, eu me derramo, eu me jogo, eu me lanço, e me vejo exausta, me vejo totalmente rendida, me vejo rendida a tudo e a todos. A fortaleza mais uma vez se desfaz, e voltam as fraquezas, que me sucumbem, e me pegam de rasteira, de raspão. Mais uma vez me vejo morta, entre tantas mortes e vindas que já tive. Entre tantas ressuscitações que houveram, e são vidas que vem e que vão, e jamais deixam de ser iguais. Os mesmos sofrimentos, as mesmas esperas, as mesmas angústias. Minha auto cobração, minha auto repelição de tudo que seja bom, pleno e nobre, já não posso acreditar em bonitas histórias, em histórias em quadrinhos, nem em contos de fadas. A minha época não permite, a minha mente flutua por cima disso, e é como se eu visse tudo lá de cima sem ao menos poder distinguir o que realmente vai me fazer bem ou não. É tudo tão confuso, a minha mentalidade passou, a minha experiência transferiu todo o peso do amor aqui, para a razão, e o coração de alguma forma se vê talvez rendido, mas seja enrijecido pelas pancadas e tombos que vem tomando ao decorrer dos anos. Anos esses que foram meses transformados em séculos de sofrimentos e lamúrias. Almas como a minha se reerguem e não sabem de onde, criam força, e alegria para viver não sabem de onde. Mas lutam, bravamente, como todo ser humano que deseja ser amado, ao menos que por segundos, e que ao menos por segundos, seja correspondido, com a mesma intensidade, com a mesma ternura, e com a mesma doçura. Que seja doce, Caio Fernando Abreu! Que seja muito doce.
É pra ti!
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